
A Boa Desesperança Sempre tive estranhamentos com a esperança, pois sempre a encontrei em momentos que nada podia fazer – como quando jogo em loterias e espero na sorte – ou em momentos onde me fado ao conformismo, à crença ensinada, à ordem superior e à preguiça. A preferência é pelo desespero, seja lá do quer for! O desespero movimenta a vida, afasta a sorte e o azar, nos faz levantar da cama e sair da letargia. Do desespero não falo em aflição! Falo simplesmente de contrário da esperança. A desesperança não espera, parte à ação, ao movimento. A desesperança protela a aposentadoria. A desesperança não deixa dívidas. A desesperança não acredita em recompensa que não seja aqui e agora. A desesperança não olha só para frente, mas para os lados e tal qual Caeiro, de vez em quando para trás. Por fim, a desesperança nos leva a viver cada dia como o dia de nossas vidas, cada ano como o último dos anos. E a esperança nos filhos? Antes que certeza de felicidade, inquietação. E a esperança no homem? Antes que solução, subterfúgio. Daí, como navegante, viver a dobrar o Cabo da Boa Desesperança, sempre!
Comentário: tempo de aniversário, finais de ano ou qualquer outra data que inspira recomeço são sempre recheadas de promessas... Prometer só se torna problema se você tiver de se movimentar, sair da apatia. A esperança dos esperançosos é, de certa forma, uma indolência, um desejo estagnado, pois qualquer movimento é indício de desconforto e pressupõe uma vontade... Um desejo de vontade é demonstração de desespero, de aflição - mesmo que não extrema. Uma ação é um pensamento solidificado, nem que seja o de afastar uma mosca do prato que se come. É esse desejo de agir, de movimentar e de mudar que vetora minha caminhada - minha vida . Viver desesperado é diferente de viver esperançoso, no primeiro modo sou protagonista, já no segundo... Obs.: em homenagem ao filósofo André Comte-Sponville É isso!
Escrito por Lucienio *Lua* às 11h54
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Para 2008
Quisera uma poesia para 2007
Todavia não a via...
Resta-me tatear algures, mas não tão longe.
Dentro de mim e dentro de nós, no tempo...
Na calada da noite, nas manchetes de jornais,
Nos desejos incontidos, no conteúdo da ambição.
Na luta... em qualquer tipo delas.
Nas leituras lentas e rápidas;
Na indignação do dia-a-dia;
Nos beijos do “noite-a-noite”... num abraço, num toque!
Não a via,
Mas poesia havia... como sempre haverá.
Em nós que às vezes nos calamos, emudecemos
Feito chorume... lacrimejados, marejados, nem sempre incólumes.
Mas vivos, ainda que empedernidos,
respirando mesmo que em tosse.
Há anos que encerram em poesia
E há anos que terminam em oposição ao verso... prosaicos, cheio de si.
Este é 2007...
E esta é para 2008: um ensaio de desejos, de quereres...
... transitivamente indireto, como deve ser!
SALVE!
Comentário: com mais ânsia de desejar a todos paz, saúde e solução para nossos problemas!
Abraços prá quem for de abraços, beijos prá quem for de beijos e até janeiro próximo.
Escrito por Lucienio *Lua* às 15h44
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Estranho amor
Não me acostumarei
Em tempo algum,
Com a sabedoria
De longe de você
Viver eu...
Nunca...
Comentário: quem nunca se apaixonou que se cale, pois não viveu. Em especial a paixão carnal, sexual e tão próxima/longe do amor dos filósofos. Em muitas ocasiões nos sentimos presos a paixões e aqui, quase sempre, não funciona, tanto a inteligência quanto a razão... Eis então que, vale mais os sentidos do que a tradução destes; vale mais os sons que sua inteligibilidade; por fim, vale menos a luz do que as brumas.
Somos tudo isto, quando abrimos espaço à razão ou quando nos fechamos ao tsunami de endorfinas causado pelas paixões.
É bom vivê-las, mas ao seu tempo também é bom o desvencilhar paulatino delas conforme avançamos à beira de nossos horizontes. E tomara que tanto estes quanto aquelas se permeiem: em espaços e arrebatamentos novos!
É isso!
Escrito por Lucienio *Lua* às 17h00
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Par(t)ida
Da vida uma triste partida fica,
As horas não esperam nossas horas
E dessa vergonha a cicatriz...
Eu te daria mais se me faltasse pouco
E muito se não me faltasse.
E te pariram prá que no mundo
Mais um sofresse.
Choravas tu, padecia eu...
Crescemos sem amor
Mas depois, amor, ele veio
Forte como as águas de março,
Arrancando tudo...
“E assim como veio, partiu”
Mas eu sei prá onde... Ah! E como eu sei.
Da vida
Uma triste partida
Mas cada dia que passa
Diminui cada dia.
E o diminuir do tempo é meu prazer,
Lapidando versos: pó, ética e mente
“E assim como veio, partiu”
E ninguém sabe,
Só quem partiu e veio.
Comentário: a vida é essa sucessão de chegadas e partidas e o que as qualifica está no quanto da gente se vai e no quanto se chega. As amizades, pelo menos as verdadeiras, sempre estarão no limiar da chegada ou da partida – ou naquele momento iminente e crucial que sempre nos espreita e põe à prova nossas relações com o outro. Partidas tristes, dos que se vão por vontade própria ou dos que são obrigados a ir, que deixarão elas? Tristes partidas! E seu oposto, as partidas alegres, de alívio, de controle, de desejo, de necessidades, que deixarão elas? Alegres partidas, em geral esquecidas mais além e com bem pouca saudade, tenho certeza.
Que na minha, na nossa partida, seja de uma tristeza boa, de saudade... “Eu lhe daria mais se me faltasse pouco e muito se não me faltasse”
É isso!
Escrito por Lucienio *Lua* às 23h47
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Tédio
É esse vazio
Que me enche a alma
Esse vazio calmo
Dessa noite calma
Desse dia calmo...
Até quando isso, meu deus!
Comentário: este – e todos os outros poemas até aqui –
foram produzidos há muito tempo... Entre vinte e quinze anos no passado. Nesta
época todo o meu mundo transformava-se continuamente e numa velocidade nem
sempre por mim compreendida. Mas tive a sorte de perceber que, apesar de todo o
descortinar de novidades que se tornava a tônica daqueles dias, seriam dias
simples e mudanças paulatinas que realmente comporiam o
real.
Toda aquela vicissitude
deveria dar lugar à estabilidade, este sim a garantir esta nesga de vida do
universo, até mesmo na quase improbabilidade de sua existência. Não que queira
dizer que as transformações, as revoluções e as mutações não tenham importância.
Longe disso. Mas para que sejam assim encaradas serão sempre casos isolados,
especiais, um pequeno número paradoxalmente sem fim – pela infinitude da do
cosmos – mas muitas vezes únicas num lapso de vida finito como o nosso. O mundo
muda todos os dias, muito mais na lentidão da calma que no espocar das manchetes
de jornais... Pelo menos as mudanças substanciais são
assim.
Viva a
calma!!!!
É
isso.
Escrito por Lucienio *Lua* às 10h28
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Tudo
Tudo passa...
O que fica:
Uma lágrima a mais,
Um sorriso a menos...
Nossas lembranças foram construídas
Naquele carinho, naquela lágrima,
No silêncio de estrela sempre presente
Quando estávamos juntos...
No que as palavras não conseguiram dizer.
Espero te encontrar adiante, sempre,
Com a mesma terna inocência do início.
Deixarei alguma coisa...
Levarei muito.
Comentário: continuo a falar de efemeridade e de realidade, continuo a falar de valores, de entradas e saídas, de balanços. O contato social é a moeda de troca, o saldo é o que nos acrescenta e o débito? Também, e porque não? Tanto no caso da soma quanto da diminuição não está em jogo o bem material ou o levar qualquer tipo de vantagem, aqui não deve haver vantagens pessoais, somente as mútuas.
A conta deve ser boa para ambos os lados, mesmo quando na tristeza, mesmo quando na alegria. O que importa, no frigir dos ovos, é acumular experiências – verdadeira riqueza e que, na maioria das vezes, só vale prá cada um – num prazer intenso, interno, mágico talvez. Deixarei alguma coisa? Não sei, mas levarei muito.
É isso.
Escrito por Lucienio *Lua* às 15h39
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O eclipse
Todo eclipse é passageiro,
Mais passageiro
Que tripulante...
De naves terras,
De naves sóis,
De naves luas.
O eclipse entende brilho,
Puro brilho
Que se vê angular por trás da noite
(rainha de tudo),
De naves terras
De naves sóis
E até de naves luas, que são bem mais poéticas, tens razão!
O eclipse entende escuridão
Mas, bem mais escuro
É um coração
Que navega terras,
Que navega sóis,
Que navega luas...
Um raro brilho no escuro,
O resumo de tudo,
O resumo de um eclipse
Que deliciando
Casa de aluguel,
Passageiramente transa todas...
Terras, sóis e luas
A poesia pode conter tudo, assim como tudo contém poesias,
Terras, sóis, luas e eclipses!
Comentário: a fugacidade das coisas pode lhe dar seu valor? Parece que sim, pelo menos no que diz respeito aos fenômenos naturais. Compreender que a efemeridade por si só não existe – mas que antes de tudo é dependente completa da uma rotina – é o caminho mais curto para a valorização de comum, do trivial. Assim como o amor!
Aqui vou me espelhar em um pensamento do atual Dalai Lama que diz que só reconhecerá o verdadeiro amor aquele que conseguir conviver por pelo menos 25 anos!! Pura rotina, dia-a-dia, sem nenhuma necessidade de divinizar ou de mistificar... O valor é próprio do concreto, onde o efêmero se alimenta. Querer fugir disto é querer negar a realidade, querer negar a realidade é caminho para o medo, caminhar para o medo é estar a um passo despropósito.
É isso!
Escrito por Lucienio *Lua* às 19h44
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Palavras
De tua boca
Caíram palavras
Delas o sentido, sentir delas
O teu hálito ver...
... Delas me entristecer,
ante a tristeza tua.
Por fim, delas descobrir
Que teus olhos as diluem
Tornando-as rotas, tortas
Os poetas, meu amor, são ingênuos
Tão quanto seus olhos
E suas palavras vão longe,
Muito longe, além da desesperança.
Comentário: esta é uma de minhas preferidas. Talvez a razão desta preferência seja a força que se mostra ao colocar as palavras no topo e, ao mesmo tempo, ao largo do acontecimento. Fica claro o embate entre a sonoridade das palavras – evidenciando a irresponsabilidade de não levar seu valor em consideração – e o impacto de um fato – seja este visível ou não aos olhos. A palavra pode ir e vir, pode ser de qualquer natureza, mas seu sentido real (se existir) deverá ser concreto, ou será apenas uma palavra vã.
É isso!
Escrito por Lucienio *Lua* às 15h28
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Jardim
Se teu silêncio Não fosse tão vago Tua cara-metade não seria Essa linda flor que desabrocha numa manhã de julho, agosto...
O licor de teus olhos embebedou-me À doce chama de teus lábios. E nesta manhã, Ao tê-la perto de mim, Essa linda flor que amava, morria.
Na minha inocência e na minha alegria Quebrei teu silêncio, Meus passos não os continha... abafei tua cara-metade. Tuas pétalas, tentei em vão desPErTA-LAS. E morreste, enquanto me consumia Em teu jogo de criança.
Comentário: o desejo, o encontro e cada compartilhamento de idéias, sentimentos, razões nos coloca numa posição além de coadjuvantes. Nestes instantes acabamos por possuir o controle da situação... Mas nem sempre nos damos conta disto e somente o tempo deterá a chave de tal descoberta. Enquanto isto, o que fazemos? Passamos a procuração para o outro, para a outra: defina meus desejos; diga o quanto tenho de sofrer ou ser feliz; justifique meus erros, inclusive meus acertos; faça-me depender... Ou o extremo oposto onde acreditamos que "algo" sobrenatural se responsabiliza por cada ação, mas aí a categoria muda para teleguiados e assim não me interessa. Não cabe culpar a ninguém, mas se quiser encontrar um álibi... Responsabilize a falta de tempo, de experiência, afinal de contas quem realmente sabe o que quer? E cuide-se, depois não teremos tantas desculpas.
É isso!
Escrito por Lucienio *Lua* às 13h02
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Mudança ou um sentido para a vida...
MUDANÇA
Mudamos tanto Sempre tanto amor Que o frio virou calor, Que o dia, noite Que o medo, coragem Que tudo, nada E que dois, três.
Comentário: Esse vem a calhar para o título deste blog: o sentido da vida é dar vida aos sentidos. Nossa vida, embora queiram alguns, não deveria ter muito mais sentido do que o "dar vida aos nossos sentidos" e, em última análise, perpetuar nossos genes!! O resto é imposição: da sociedade, da política, do clube, dos amigos (as), do namorado(a), da escola e, principalmente, da religião... Cada um se torna mais verdadeiro quando está a dois - sozinho, um é nada - e nos fantasiamos à medida que nossas relações crescem. Mas crescem também outros sentidos menores para a vida, todos relacionados com o "dar vida aos nossos sentidos"... ainda bem, afinal, estamos VIVOS!
É isso!
Escrito por Lucienio *Lua* às 23h41
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Qual a razão deste blog?
A resposta é simples: compartilhar!
Em um mundo cada vez mais "virtualizado" – em todos os sentidos – urge que o emprego desta ferramenta computacional tenha um bom uso. Ou como diriam os filósofos: seja bom, belo e verdadeiro. Coisa que nem sempre acontece, basta dar atenção aos noticiários.
Como venho somando experiências de vida – não que as minhas sejam melhores que outras – veio o desejo de compartilhar em forma de... poesias. Construídas ao longo de algumas décadas, são meu somatório, muito embora inconclusas (e espero que continuem assim por muito tempo ainda!).
Então, cabe a você visitante, fazer, caso queira, a prova dos nove e quem sabe também compartilhar as suas experiências. Uma advertência: dizem que a obra de arte, quando ganha o mundo, faz perder do artista o controle. Não tenho muita certeza disso, por esta razão as minhas poesias serão acompanhadas (quando for o caso) de pequenas crônicas que não possuem o desejo de explicá-las, mas de dar meu ponto de vista. São observações opcionais e totalmente descartáveis, sinta-se à vontade.
É isso!
Escrito por Lucienio *Lua* às 20h12
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Meu perfil
BRASIL, Nordeste, CAMPINA GRANDE, CATOLE, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros MSN - lucienio@hotmail.com
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